Para atender às demandas da sociedade, o Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário esforça-se para que suas normas orientem fabricantes, laboratórios e o consumidor final.  

                Um passo importante para renovação da estrutura da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) foi dado em 6 de maio de 1968 quando, em Assembleia Geral Extraordinária, realizada no Rio de Janeiro, foi aprovada a reforma do Estatuto da organização. Nasciam ali os primeiros 17 Comitês Brasileiros, que passaram a ser identificados pela sigla ABNT/CB seguida de um número.

                O ABNT/CB-017 é o Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário, atuando na elaboração de normas que compreendem fibras, fios, cabos, cordoalhas, tecidos e outros artigos fabricados em têxteis; artigos confeccionados; matérias-primas; produtos químicos e auxiliares necessários para os diversos tratamentos.

                 A superintendente Maria Adelina Pereira informa que antes de 1968 o setor já contava com normas técnicas, abrigadas nas comissões de Química e de Mecânica. Na primeira ficavam normas mais ligadas a produtos como, por exemplo, a de solidez de cor, que depende também de corante, e a de qualidade de lençóis e lonas, itens de compra do Exército. Na segunda eram reunidas normas para atender ao crescimento da indústria de máquinas têxteis.

                “Nessas cinco décadas, muitas normas de grande utilidade para a sociedade foram publicadas, primeiro atendendo à exigência de melhoria de qualidade para exportação e, posteriormente, porque o mercado interno começou a buscar materiais mais duradouros”, comenta a superintendente.  

                Segundo Maria Adelina, todas as normas são referenciais na comercialização de produtos, desde a que orienta como determinar a largura de um tecido, até aquelas mais complexas, sobre verificação da presença de corantes alergênicos em materiais tintos, por exemplo. “Não há norma mais ou menos importante, há demandas da sociedade para a norma servir como bússola e orientar os usuários, fabricantes e laboratórios”, ressalta.

                Com a Secretaria Técnica mantida pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o ABNT/CB-017 conta com o apoio das entidades mais atuantes do mercado, organizações de ensino e pesquisa, contribuindo para que as normas (são mas de 270) tenham a maior abrangência possível. 

                Entre as entidades que participam do Comitê estão, além da Abit, a  Associação Brasileira das Indústrias de. Nãotecidos e Tecidos Técnicos (Abint), a Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais (Abrafas), a Associação Brasileira das Indústrias de Tapetes e Carpetes (Abritac), a Associação Brasileira do Varejo Têxtil  (ABVETEX), a Associação Brasileira dos Produtores de Fibras Poliolefínicas (Afipol), o  Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem  (Sinditextil), o Sindicato das Indústrias do Vestuário de São Paulo (Sindivestuário) e  o Sindicato da Indústria de Especialidades Têxteis no Estado de São Paulo (Sietex), que envolvem seus profissionais para apresentar tecnologias disponíveis.

              Como participantes neutros, atuam Denier, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) , Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Interface, o laboratório têxtil Labtex, a empresa de inspeção e certificação SGS e a Aitex, entre outros, que contribuem testando metodologias e assegurando credibilidade. O Comitê ainda tem a participação do varejo representado pela sua entidade de classe e por diversos magazines, que fazem valer as necessidades de seus clientes e suas preocupações com o consumo consciente.

                Essa conjugação de esforços, de acordo com Maria Adelina, possibilitou que fossem atendidas demandas muito relevantes: “Destaco o conjunto de normas de segurança química em têxteis, sintonizadas com a tendência mundial de uma moda que não agrida o ambiente nem o usuário, e também a norma de alta visibilidade em vestimentas profissionais, cuja utilização tem reduzido mortes de garis por atropelamento, além de outras aplicações”.

                A superintendente conclui: “Com orgulho e tecendo a cada dia, como operária desse processo, sigo trilhando os exemplos dos profissionais que me antecederam e a cada dia sonho que a Normalização, de forma geral, facilite a vida das pessoas, empresas e entidades, sem exclusão”.

Tendência internacional

             Os Comitês Brasileiros assumiram, de acordo com o Estatuto de 1968, a função de órgãos de planejamento, coordenação e controle das atividades exercidas por um grupo de Comissões de Estudo relacionadas com determinado âmbito de normalização. A recomendação era que fossem instalados individualmente, “de modo a tirar o máximo de proveito de tal instalação em benefício da ação normalizadora em que todos estão empenhados”.

               Segundo o diretor técnico da ABNT, Eugenio Tolstoy De Simone, essa estruturação foi feita seguindo uma tendência internacional de se agrupar os trabalhos de normalização em setores importantes da economia. “A partir desse momento, a normalização brasileira foi apresentando um maior desenvolvimento, de modo que hoje a ABNT conta com mais de 200 Comitês Técnicos, que realizaram, em 2017, mais de 1000 reuniões, com mais de 11 mil participações”, ele afirma.

               Essa nova estrutura, como ressalta o diretor técnico, permitiu também uma atuação mais consistente e coordenada da ABNT nos Comitês Técnicos dos foros internacionais de normalização. Com o passar do tempo e como já se previa em 1968, alguns desses Comitês foram desdobrados, ou tiveram a denominação reformulada, outros entraram em recesso, mas a maioria prossegue oferecendo relevantes contribuições e reunindo conquistas que beneficiam toda a sociedade.          
        

Sobre a ABNT

A ABNT é o único Foro Nacional de Normalização, por reconhecimento da sociedade brasileira desde a sua fundação, em 28 de setembro de 1940, e confirmado pelo Governo Federal por meio de diversos instrumentos legais. É responsável pela elaboração das Normas Brasileiras (NBR), destinadas aos mais diversos setores. A ABNT participa da normalização regional na Associação Mercosul de Normalização (AMN) e na Comissão Pan-Americana de Normas Técnicas (Copant) e da normalização internacional na International Organization for Standardization (ISO) e na International Electrotechnical Commission (IEC).

Assessoria de Imprensa

Monalisa Zia
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