Com 430 normas que oferecem conhecimento técnico para o setor automotivo, o Comitê conta com a participação de 230 empresas.

               Em Assembleia Geral Extraordinária, realizada no dia 6 de maio 1968, no Rio de Janeiro, foi aprovada a reformulação do Estatuto da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), um passo importante para renovar a estrutura da organização. Nasciam ali os primeiros 17 Comitês Brasileiros, que passaram a ser identificados pela sigla ABNT/CB seguida de um número.

                Na época, a indústria – e especialmente o segmento de autopeças - amadurecia e buscava acesso ao mercado externo, e o Comitê Brasileiro Automotivo (ABNT/CB-005) assumiu a missão de “ser um agente de gestão do conhecimento técnico para o bem do País e seus cidadãos”, como revela o chefe de Secretaria, José Luiz Albertin.

                “Diante de muitos desafios em duras épocas para a economia e o setor, considerei estratégico instalar o CB-005 na sede do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA) e, até hoje, o que nutre essa parceria é justamente o compartilhamento dos valores de neutralidade e desenvolvimento da qualidade no setor”, declara o superintendente Ali El Hage, no cargo há 15 anos.

                O Comitê foi criado com o seguinte âmbito de atuação: Normalização no campo de automóveis, caminhões, tratores, ônibus, ciclomotores, bicicletas, motocicletas, autopeças e componentes, bem como reparação de veículos, emissões veiculares, no que concerne a terminologia, requisitos, métodos de ensaio e generalidades. 

                Neste meio século, as tecnologias para o setor desenvolveram-se rapidamente. Os veículos tinham sistemas e componentes que hoje são substituídos pela eletrônica. O setor entrou na fase do veículo elétrico e híbrido, já há ônibus alimentados a hidrogênio. As normas do ABNT/CB-005 acompanharam essa inovação.

                 Entre as muitas situações que tiveram a contribuição do Comitê, Albertin cita: o ABS presente em todos os veículos de quatro rodas desde janeiro de 2014; a instalação do primeiro laboratório independente para avaliar veículos elétricos e híbridos em 2017; as certificações Inmetro de peças e sistemas automotivos; os regulamentos de controle de emissões de veículos que têm por base as normas de ensaios criadas no ABNT/CB-005; as normas de ensaio de impacto (crash test) que tornam os veículos mais seguros; e as normas de serviços automotivos, voltadas a oficinas mecânicas. 

               Com um acervo de 430 normas, o Comitê tem a participação de 230 empresas e cerca de 320 técnicos atuando na normalização, em cerca de 40 Comissões de Estudo. Em 2017 realizou 140 reuniões com 1.120 participantes. As atenções, em 2018, estão voltadas para 55 projetos de normas.

                Acompanhando as prioridades do setor, o ABNT/ CB-005 procura ter instrumentos que deem eficiência e velocidade na elaboração de normas. “O segmento da Mobilidade, envolvendo veículos de forma ampla, alcança um novo patamar, o da eletrificação e autonomia, e isso traz uma necessidade enorme de normas, então devemos criar um espaço de capacidade para trabalhar nesse volume novo, sem deixar de atender as demandas atuais”, finaliza José Luiz Albertin.

Alinhamento à ISO

               Os Comitês Brasileiros assumiram, de acordo com o novo Estatuto, a função de órgãos de planejamento, coordenação e controle das atividades exercidas por um grupo de Comissões de Estudo relacionadas com determinado âmbito de normalização. A recomendação era que fossem instalados individualmente, “de modo a tirar o máximo de proveito de tal instalação em benefício da ação normalizadora em que todos estão empenhados”.

               Segundo o diretor técnico da ABNT, Eugenio Tolstoy De Simone, essa estruturação foi feita seguindo uma tendência internacional de se agrupar os trabalhos de normalização em setores importantes da economia. “A partir desse momento, a normalização brasileira foi apresentando um maior desenvolvimento, de modo que hoje a ABNT conta com mais de 200 Comitês Técnicos, que realizaram, em 2017, mais de 1000 reuniões, com mais de 11 mil participações”, ele afirma.

               Essa nova estrutura, como ressalta o diretor técnico, permitiu também uma atuação mais consistente e coordenada da ABNT nos Comitês Técnicos dos foros internacionais de normalização. Com o passar do tempo e como já se previa em 1968, alguns desses Comitês foram desdobrados, ou tiveram a denominação reformulada, outros entraram em recesso, mas a maioria prossegue oferecendo relevantes contribuições e reunindo conquistas que beneficiam toda a sociedade.    
             

Sobre a ABNT

A ABNT é o único Foro Nacional de Normalização, por reconhecimento da sociedade brasileira desde a sua fundação, em 28 de setembro de 1940, e confirmado pelo Governo Federal por meio de diversos instrumentos legais. É responsável pela elaboração das Normas Brasileiras (NBR), destinadas aos mais diversos setores. A ABNT participa da normalização regional na Associação Mercosul de Normalização (AMN) e na Comissão Pan-Americana de Normas Técnicas (Copant) e da normalização internacional na International Organization for Standardization (ISO) e na International Electrotechnical Commission (IEC). 

Assessoria de Imprensa

Monalisa Zia

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