A certificação ABNT para sistemas de extinção de incêndio para veículos Off-Road, para os setores da mineração, florestal e agronegócio, distingue no mercado fornecedores e, principalmente, oferece aos usuários a garantia de que não colocarão em risco a integridade física dos operadores, o patrimônio das empresas e o meio ambiente.

Projetado de acordo com cada tipo de máquina, seja ela de uso florestal, mineração ou no agronegócio, um sistema de extinção de incêndio tem a finalidade de impedir que o fogo se alastre, protegendo assim a integridade física das pessoas que operam o equipamento, além de evitar danos ambientais. Confiabilidade e qualidade são requisitos fundamentais para o sistema, por isso o mercado está inquieto com a concorrência desleal, que comercializa equipamentos fora das normas e, por consequência, sem oferecer a devida segurança e eficácia para o seu funcionamento. A certificação, nesse caso, faz toda a diferença.

O programa de Certificação de Sistema de Extinção de Incêndio para Veículos Off-Road, Florestais e Agronegócios está estabelecido em um Procedimento Específico (PE) elaborado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). De acordo com Maurício Feres, auditor máster de produtos da ABNT Certificadora, o PE-223.05 - Certificação de Sistema de Extinção de Incêndio para Veículos Off-Road, Florestais e Agronegócio fornece todas as diretrizes e requisitos que devem ser atendidos, incluindo a documentação necessária, projeto construtivo, manual de instalação e operação, procedimentos e planos de manutenção preventiva e corretiva.

A criticidade neste programa de certificação fez com que a ABNT, em sua elaboração, exigisse que os fabricantes tenham seu Sistema de Gestão da Qualidade implementado em conformidade a todos os itens da norma ABNT NBR ISO 9001. Somado a isto, os produtos devem demonstrar o atendimento a todos os ensaios normativos e de aprovação do sistema, bem como que seus funcionários tenham sua capacidade e competência evidenciadas por meio de registros dos respectivos treinamentos.

“Uma não conformidade, em um documento ou em um ensaio, é impeditiva para certificar o sistema de extinção, portanto, o preparo da empresa para se tornar apta à certificação tem que ser amplo, detalhado e preciso”, alerta o auditor da ABNT, sobre o rigor do processo de certificação e manutenção junto ao órgão certificador.

Os ensaios de desempenho são pontos críticos recorrentes numa auditoria, por maior que tenha sido o cuidado da empresa na elaboração do projeto. Um ensaio de fogo, por exemplo, pode apresentar resultado negativo em virtude da dificuldade de o projetista prever todas as situações de risco. “Por isso, muitos sistemas não certificados falham na hora do combate ao incêndio”, comenta Feres, complementando que são justamente as exigências da Certificadora que garantem o perfeito desempenho do sistema e a segurança do usuário.

Produtos não conformes

Empresas estão ludibriando os consumidores, fornecendo equipamentos com adaptações grosseiras, para assim atuarem de forma enganosa como fabricantes e fornecedores de sistemas de extinção de incêndio para veículos Off-Road. As exigências de construção do projeto são completamente ignoradas, não atendendo ao procedimento específico da ABNT (PE 223) ou as das normas estrangeiras (NFPA-17 e UL-1254), adulterando recipientes que têm outra finalidade para combate ao incêndio, perdendo toda sua característica original de segurança ao qual foi projetado. Estas empresas utilizam componentes de baixa qualidade, estão longe de constituir um sistema necessariamente robusto e eficaz, porém assim estão sendo oferecidos no mercado, como denuncia Carlos Augusto E. Heidenreich, diretor comercial da Seive Indústria, Comércio e Serviços de Proteção Contra Incêndio, sediada em Belo Horizonte (MG) e certificada pela ABNT.

Nestas adaptações também são alterados os agentes extintores e até o pó químico seco. Em vez de utilizarem o ABC 90% (fosfato monoamônico), conforme determinam as normas, usam o ABC 44 a 55%, que compromete a capacidade extintora de combate ao incêndio ao tipo de risco (equipamentos Off-Road). “Por fim, as exigências de construção do projeto são complemente ignoradas, transmitindo uma falsa sensação de segurança e colocando em risco a integridade física dos operadores, o patrimônio das empresas e o meio ambiente”, ressalta Heidenreich.

Os sistemas de extinção de incêndio para veículos Off-Road, afinal, devem proteger os componentes mais críticos do equipamento, como motor, turbina, filtros, partes hidráulicas e elétricas, permitindo o controle do princípio de incêndio em áreas normalmente inacessíveis. Suas principais características são: dispositivo de acionamento rápido (instalado na cabine e/ou escada), ampolas de ativação com gás nitrogênio, difusores do agente extintor posicionados estrategicamente próximos às áreas de maior risco, mangueiras de ativação em conformidade com norma técnica (SAE 100R1 AT) para suportar altas pressões e temperaturas, tubulações e conexões em aço inox 304 classe AT, com objetivo de evitar riscos de incrustação ou entupimento, garantir a fluidez eficaz do volume de pó ABC 90% através da tubulação, além de preservar as partículas do agente extintor.

Mercado em crescimento

Marcas importadas dos Estados Unidos e da Europa dominavam o mercado de sistemas de extinção de incêndio para veículos Off-Roadaté 2012,ano em que a Seive iniciousua produção. Esse tipo de sistema era utilizado, em maior escala, em áreas de mineração e colheita florestal, para proteção dos equipamentos de grande porte (os Off- Road, ou fora de estrada), como, por exemplo, escavadeiras, perfuratrizes, carregadeiras, caminhões e os chamados forwarders e harvesters, mais usados por madeireiras.

Com a evolução do segmento agrícola no país houve uma drástica redução da colheita manual, empresas e usinas passaram por um processo de modernização e mecanização, principalmente no agronegócio.

Além do sistema de extinção manual, há a configuração do sistema automático, que atua sem a interferência do operador. Ao detectar um princípio de incêndio, é enviado um sinal para o painel monitor digital, que inicia o processo de disparo e alarme sonoro e visual para alertar o operador da ocorrência do incêndio. Então o operador deve parar, desligar e deixar o equipamento imediatamente. Após um tempo predeterminado (em geral, 15 segundos), o sistema supressor será disparado automaticamente pelo painel monitor, extinguindo completamente o incêndio.

Os prejuízos decorrentes de um incêndio compreendem desde a perda do equipamento e da produção, até acidentes de trabalho e impactos ambientais negativos. Por isso, Heidenreich reitera a importância das certificações e lembra que as empresas seguradoras estão cada vez mais exigentes na aprovação de coberturas para determinados equipamentos que apresentem alto índice de sinistralidade (contabilização da ocorrência de acidentes), a ponto de concederem desconto na apólice quando há registro da instalação de um sistema de extinção certificado por um organismo certificador, como, por exemplo, a ABNT (PE-223).

Conscientização

Oswaldo Lemos, diretor da Soltron Soluções em Sistemas, empresa também sediada em Belo Horizonte (MG) e certificada pela ABNT, identifica uma conscientização dos trabalhadores nos setores de mineração, florestal e agrícola quanto à importância da segurança dos sistemas de extinção de incêndio para veículos Off-Road. Observa que os empresários têm se empenhado em adquirir e manter esses equipamentos em pleno funcionamento.

“O mercado é crescente, assim como a concorrência, que tem se mostrado cada vez mais agressiva entre as empresas nacionais e as estrangeiras”, afirma Lemos. Mas ele lamenta que os clientes ainda deem mais credibilidade aos produtos importados do que aos nacionais, que buscam a competitividade enfrentando também desafios de custos com elevados padrões de qualidade, matéria prima e impostos.

Antes da aquisição de um sistema, como ensina Lemos, o cliente deve conhecer sua necessidade real, saber se precisa de um equipamento que identifique automaticamente um princípio de incêndio, ou de um que seja acionado pelo operador. O mais importante é que pesquise sobre a qualidade do produto, a sua padronização e a confiabilidade dos processos. “Isto pode ser verificado junto ao organismo certificador”, ele ressalta.

Outro aspecto apontado por Lemos é a questão da equalização de demanda e configuração necessária para cada tipo de equipamento Off-Road, conferindo para isso as determinações do procedimento PE-223 da ABNT e das normas específicas da National Fire Protection Association (NFPA), principalmente quanto a posicionamento de detectores, difusores e agentes de combate ao fogo.

A Soltron, criada em 2009, tem como política de qualidade fabricar sistemas de combate a incêndio para veículos Off-Road buscando a melhoria contínua. Por isso, Oswaldo Lemos valoriza a certificação ABNT e as exigências do PE-223. “O processo permite comprovar o desempenho dos equipamentos em suas diferentes configurações, trazendo confiança aos clientes”, conclui.

Alerta ao mercado

Para que as empresas e seus gestores possam realizar suas aquisições de forma técnica e assertiva, evitando a compra de sistemas não conformes, a ABNT desenvolveu um programa de certificação assegurando, com nível adequado de confiança, a conformidade dos sistemas de extinção.

Atualmente, somente as empresas Soltron e Seive encontram-se certificadas, conforme o Procedimento Específico PE-223.

 

Sobre a ABNT

A ABNT é o único Foro Nacional de Normalização, por reconhecimento da sociedade brasileira desde a sua fundação, em 28 de setembro de 1940, e confirmado pelo Governo Federal por meio de diversos instrumentos legais. É responsável pela elaboração das Normas Brasileiras (NBR), destinadas aos mais diversos setores. A ABNT participa da normalização regional na Associação Mercosul de Normalização (AMN) e na Comissão Pan-Americana de Normas Técnicas (Copant) e da normalização internacional na International Organization for Standardization (ISO) e na International Electrotechnical Commission (IEC), influenciando o conteúdo de normas e procurando garantir condições de competitividade aos produtos e serviços brasileiros, além de exercer seu papel social. Além disso, a ABNT também é um Organismo de Avaliação da Conformidade acreditado pelo Inmetro para a certificação de diversos produtos, sistemas e programas ambientais, como o rótulo ecológico e a verificação de inventários de gases de efeito estufa. 

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